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Certeza mais incerta

arquivado em: do cenário  

Para num deixar isso aqui (mais) parado, boralá dar continuidade ao assunto do último post, o qual num sai da minha cabeça já há mais de duas semanas: que profissão escolher?

O peso dessa escolha recai sobre as pessoas, parece-me, desde o ínicio do colegial. Lembro nitidamente dos professores perguntando no primeiro, e enfadonho, dia de aula qual profissão, nome e idade (não necessariamente nessa ordem).

Logo, eu comecei a me preocupar com esse assunto cedo por influência, também, da minha irmã e sua indecisão de sempre com o vestibular. Então, lá pela segunda série do Ensino Médio, fiz um daqueles acompanhamentos psicológicos para descobrir o que eu, supostamente, serviria para fazer. Daí, por me interessar por escrita já na época, me interessei por Comunicação. E, até janeiro desse ano, tinha certeza de queria ainda fazer Comunicação, mesmo porque já tava com um pé dentro da universidade por passar na primeira fase do vestibular (a segunda fase termina em janeiro). Porém, seilá por quê, por onde começar a explicar, mas eu não queria, não tinha mais certeza de que Comunicação seria ideal. Talvez por estar interessado mais em atividades efetivamente participativas que só efetuar o serviço de robô de informativo. Sei que a profissão de comunicólogo num é só uma, que há uma enorme quantidade de possibilidades, mas num é o ideal.

A partir desse pensamento, pensei em prestar vestibular para vários outros cursos, como Letras, Design (*), Ciências Sociais, Geografia, tudo na área de Humanas, Lingüistica e Artes. É claro pra mim que num quero fazer nada em Exatas ou Biomédicas; o que já é algo, pois é certo o que não quero, diminuindo possibilidades infinitas de cursos. Porque, mesmo que num achem possível, há pessoas que ficam em dúvida entre cursos como Administração e Enfermagem e coisas paradoxas assim.

No entanto, apesar de todo o idealismo da faculdade, vou prestar para Comunicação. Por quê? Vou ver lá ter certeza se é bom ou não. Se vou passar, também é outra incerteza, que tento resolver estudando e deixando o blog do jeito que vocês têm visto nos últimos dias.

Mas e você: como escolheu a faculdade que faz/fará e, conseqüentemente, a sua profissão?

(*) Vou prestar para Design na universidade do estado, ainda.

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Postado em 14/08/08 // 13 comentários >>>>


Plus quinze por cento

arquivado em: do cenário  

Já há anos, Brasil afora, as universidades públicas possuem cotas e benefícios para diversos grupos de pessoas, a fim de inserir esses à margem da universidade na vida acadêmica e, assim, tentar construir uma sociedade melhor, por assim dizer. O resultado disso, como já é senso comum, é péssimo, pois ao favorecer negros, por exemplo, aqueles que possuem maior poder aquisitivo e, logo, maior acesso a informação serão os que terão melhores notas e entrarão na universidade; além daqueles que sempre arranjam um jeito de entrar no sistema de cotas, quando não o merecem.

Pois bem, a UFMG, daqui pertinho da minha casa, que abre as inscrições semana que vem (e o fato do desespero em que me encontro a ponto de escrever isso, deve ser relevado), esse ano foi obrigada a incluir em seu processo seletivo algum modo de favorecimento aos academicamente desfavorecidos. E, diferentemente das outras universidades, as quais adotaram o sistema de cotas sem pesquisar o perfil da sociedade acadêmica, a UFMG analisou e constatou que a universidade não carece de alunos negros e sim de alunos de escola pública (novidade: os socialmente desfavorecidos), onde é o foco central do problema da educação. Eu, como desde sempre, estudante de escola pública posso atestar com veemência que o problema é um buraco enorme — e olhe que o colégio em que estudei é até melhorzinho que escolas públicas regulares, por estar sob a gestão da Polícia Militar.

Então, a UFMG, esse ano, incluiu no seu vestibular, ao invés das costas, bônus para alunos de escolas públicas e para negros e pardos. Claro, há condições: os alunos de escola pública devem ter estudado desde a 5ª série do Ensino Fundamental para ter 10% de bônus; e quem se autodeclare negro ou pardo (e só aqueles já benfeciados como alunos de escola pública) acrescenta-se 5%, somando 15% de bônus nas notas de 1ª e 2ª Etapa cada.

É óbvio que não incentivo, de forma alguma, essa medida paliativa do governo de transportar o problema de haver grupos excluídos da vida acadêmica para as universidades (o que é a conseqüência), quando a causa é o ensino público (segunda novidade: no Brasil, gostamos de trabalhar com as conseqüências, elas dão maior lucro); mas dos males o menor. A UFMG pelo menos abordou, no seu sistema de bônus, a raiz do problema e não transformou esse sistema em um agravante futuro, que de novo, na história do BR, só sucateia as universidades públicas.

Anexos:
- Haverá cotas na UFMG?;
- UFMG descarta cotas para negros.

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Postado em 05/08/08 // 18 comentários >>>>


DOA - Desilusão Ortográfico-Amorosa

arquivado em: pensamentos em voz alta  

No pensamento do cara: menina linda, corpo lindo, sorriso lindo e ainda me dando mole? Tudo perfeito demais - para ser verdade -, até chegar o primeiro torpedo no celular.

Fais poco tempo q agente ce viu mais ja cinto saldade.

Tudo certo(?). Relaxa, porque é só uma mensagem de texto, dá para lidar com isso. Mas, logo que você começa a ficar mais íntimo, trocam MSN e, aí, que a coisa fica foda. Nos messengers, por a conversa escrita ser mais dinâmica, até quem tem destreza para escrever: comete erros de digitação, esquece como se conjuga um verbo, as vírgulas quase morrem, os acentos, às vezes, ficam para trás. No entanto para chegar a este ponto:

g@t@ diz:
ola!

Vc diz:
Olá, ótimo voltar a falar com vc =) tdo bem?

g@t@ diz:
muinto bom mesmo! tudo serto com migo e vc?

Vc diz:
uhum… como foi de fds?

g@t@ diz:
fds queisso/

Vc diz:
fim de semana.

g@t@ diz:
aaaah he-he-he foi ótimo tipo agente foi num barsinho, nem em cheu mais tava com uns amigos cantarão musica legal foi uma curtisa~o so rsrs e o seu?

Vc diz:
é… foi bom tb… Eu tenho que sair agora, mas a gente se fala qualquer dia…

fonte: http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=29741479
g@t@ diz: aaaa qe pena, mais beiginhos, gud-bay!

g@t@ diz: aaaa qe pena, mais beiginhos, gud-bay!

Se você, ao ver isso, fica apático, esse texto não lhe interessa; porém, se a cada erro, seu olho dá uma piscada e você solta um urro — hiperbólico isso –, meirmão, você sofre de DOA (Desilusão Ortográfico-Amorosa) e, conseqüentemente, me entende.

Há, então, a tentativa de explicação (clicaê) para isso, porém não creio que essa seja aplicável às mulheres. Portanto, por quê, meu DEUS?

Sabe de uma coisa: "cansei de ce inganado."

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Postado em 25/07/08 // 10 comentários >>>>


O míope urbano

arquivado em: estórias&histórias  

Sei lá como acontece, um dia você tenta enxergar algo longe e vê tudo embaçado. É, então, obrigado a ou usar óculos ou lente ou fazer cirurgia (caro demais, hahah). De cara, eu preferi usar óculos, há mulheres que gostam de caras com óculos, óculos lhe deixam mais inteligentes, aparentemente, etc.

Boralá dar um volta no meu calhambeque?

Boralá dar um volta no meu calhambeque?

No entanto, há as partes chatas. Vamos lá: você vai no cinema, tem que chegar às 17h00 no shopping. E às 15h00 lembra que tem que fazer um monte de coisas que você ignorou durante o dia todo. Feito tudo, atrasado, vai para o ponto de ônibus e, chegando lá, vê que teu ônibus tá passando. PORRA! Corre e quando chega no ponto, MERDA, num era o seu ônibus! Aí, espera um pouco, pega o ônibus (ou ele te pega), engarrafamento de fim de tarde. Chega ao shopping correndo e ainda tem que passar na Americanas pra comprar besteira.

Chega ao cinema, acha, milagrosamente, um lugar no fundo. Senta. E, MERDAAAA, num enxerga nada. Deixou os óculos em casa, porque beijar com óculos num rola, meu.

Logo, fica lá na crise existencial: óculos ou lentes? Óculos, óbvio. Quem liga pro filme?

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Postado em 18/07/08 // 7 comentários >>>>


Umas chagas

arquivado em: livros&filmes&séries, por aí  

Existia um cara fodão. Dono de terras longínquas e apático a elas. Porém, as terras dos vizinhos rendiam mais dinheiro, as dos vizinhos davam riquezas, as dos vizinhos eram diferentes, tinham sol durante todo ano, rendiam culturas ótimas. Então, ele resolveu mandar um povo esquisito, que estava ao se dispor, para morar nas suas terras improdutivas, à princípio. Se não, alguém poderia chegar lá e se apossar das terras, que ele mesmo não dando-lhe lucro, não queria perder. Além do quê, reduzia-lhe custos, o que lhe daria dinheiro de sobra para investir em outros lugares.

Os vizinhos esbanjadores exploravam quem vivia nas suas terras, comprometiam seus lucros na cidade, gastavam mais do que recebiam com luxos bestas. Afinal, as terras deles possuíam produtividade inesgotável e não se mexe, ou mais apropriado, investe-se em times que estão ganhando.

O cara fodão, como não tinha uma fonte de renda — como a do vizinho — abundante, foi crescer economicamente a partir do que tinha. Tomando terras de outros, explorando mercados diferentes e, assim, ultrapassou, após muito tempo, a riqueza dos decadentes vizinhos. Conquistando economicamente, inclusive, as propriedades de riqueza farta de seus vizinhos.

Isso tudo até que o novo bam-bam-bam foi superado pelos subordinados mandados para as terras, antes, estéreis. Os exilados, a exemplo de seu antigo amo, criaram ali, naquele meio tido como inóspito, um lugar produtivo e valorizado e, assim, conseguiram êxito na tomada das rédeas do comércio. Rédeas que eram do novo bam-bam-bam.

Partilham a hegemonia, hoje, com várias outras pessoas, porém estão os principais de seu tempo. As terras produtivas dos vizinhos? Ah, elas continuam produtivas e exploradas e maltratadas e pobres; fomentadas, principalmente, pelos que detém aquela coisa de hegemonia que o professor de Geografia falou.

E essa história tão incestuosa e atual é só uma pontinha da História, contada por Eduardo Galeano de forma romanesca, em As veias abertas da América Latina. Na História, o cara fodão é a Inglaterra; os vizinhos, Portugal e Espanha; as terras improdutivas, os EUA; e as terras riquíssimas, a América Latina.

O autor mostra, a partir de fatos históricos, como os EUA não nascerem importante para as suas metrópoles o tornou a potência mundial, diferentemente da América Latinha que sempre foram instrumentos de usufruto das suas nações colonizadores. Por meio dessas conjunturas, analisa como foi a desenvoltura dessas ex-colônias como nações e como há laços conjunturais nos problemas latino-americanos. E mesmo que os brasileiros, por tanta falta de informação sobre a América, neguem-se como parte da América Latina, Galeano ressalta problemas brasileiros com outras nações latinas, que assim como no Brasil, possuem olvidados e pessoas de memórias esquecidas.

É notável, durante todo o tempo, a forma como a América Latina possui chagas ainda desse tempo da colonização, os quais nunca foram resolvidos e somente acentuadas ao longo do percurso de independência e de desenvolvimento. Feridas latentes e que gritam por resolução nos indicadores socioeconômicos, políticos; nos movimentos culturais e na subordinação da cultura.

A razão desse post aqui na seção principal do fodástico é para avisar aos queridos leitores o fato que agora tenho um blog de opinião (mas esse num era um?), o mundanagens, e para indicar um livro fodão que me fez entender muito da ciclicidade da História do Brasil e de tantas outras nações latinas.

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Postado em 08/07/08 // 6 comentários >>>>


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Léo Ruas estudante- vestibulando, residente de Beagá. >>>>

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